O blog
Dizem que falar aos cotovelos é ruim. Dizem que expressar opinião é ótimo, em alguns casos. Unindo ambas as coisas essa pequena garota irá tentar defender as suas próprias opiniões rebeldes e muitas vezes sem causa, de coisas cotidianas, valhas ou às vezes inúteis; passando o tempo aqui, vendo as horas voarem e digitando descontroladoramente palavras aleatórias, porque isso sim é de sua estranha natureza.

Quem
Gabriela Andrade, uma senhorita com 23 anos vividos de misturas sentimentais, questões polêmicas, questionamentos insanos e utópicos sobre o mundo, englobados em torno de muitas confusões. Anseia por um futuro melhor, mas se saberá o que será do temido e exasperado amanhã?

Arquivo
06.09 / 07.09 / 08.09 / 09.09 / 10.09 / 11.09 / 12.09 / 01.10 / 02.10 / 03.10 / 04.10 / 08.10 / 09.10 / 10.10 / 11.10 / 12.10 / 01.11 / 02.11 / 03.11 / 04.11 / 05.11 / 07.11 / 08.11 / 09.11 / 01.12 / 02.12 / 03.12 / 04.12 / 07.12 / 09.12 / 03.13 / 07.13 / 11.13 / 01.14 / 01.15 / 02.15 / 03.15 / 07.15 / 01.17 / 09.17 / 10.17 /


Meu balé
Comentários (2) // terça-feira, 31 de outubro de 2017

Sejas o balé dos meus pés,
que o meu corpo dance ao Teu falar
e os meus ouvidos ouçam a voz que vem dos céus.
Direciono o olhar do meu coração a Ti,
pois ainda que eu esteja em plena tempestade tenho em mim gratidão:
Tu és o tempo todo bom.
E, assim, prossigo bailando conforme a Tua lei.
Esvazio-me do que sou e Te faço da minha vida Rei.

PS: pequeno texto em homenagem aos 500 anos da Reforma Protestante que inovou não apenas no âmbito religioso, mas foi o berço para as liberdades fundamentais que temos hoje.

Foto: daqui.

Boneca de pano
Comentários (1) // sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Meiga, de choro fácil, ela vive sempre a sorrir. Sorriso fixo e às vezes trêmulo, que não sai dos lábios. Como que se esquecera que o tempo passa, a infância permanece nela. E ela, mulher, ainda é menina. Feminina é eufemismo, se pudesse teria tudo em forma de flores, desenhos infantis e borboletas. Não vive longe da busca pela felicidade, mas foge de brigas como o Cascão corre da chuva. A sua cidade não possui nome e a rua em que mora não possui CEP, porque a sua morada é desprendida. Ela acredita em um amor irreal, e por isso sabe ser leal como ninguém. Engana-se quem pensa que ela elogia a cada suspiro, a vida lhe foi dura e ela fala mesmo com atitudes e abnegação. Dizer não aos outros e fazer escolhas é difícil, prefere enxergar tudo como bom.
Não é fácil entendê-la, no entanto se pode vê-la como uma boneca de pano: centenas de linhas e detalhes formando algo tão singelo e único.

Imagem: daqui - Adriana Vieira.

Hey,
Comentários (1) // quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Vem depressa.
O meu coração espera por ti.
Ou por acaso o meu amor não te interessa?
Eu não vou ficar de tititi, percebas o meu olhar que sempre-sempre-sempre procura o teu.
Notes que a timidez fala em todas as minhas entrelinhas.
Poderia te escrever poesia, te falar que a tua alegria é a minha nova rima
e que a minha calmaria perdeu para a arritmia que me causas.
Não sejas um filisteu, vejas que não sou sua inimiga, lutamos pela mesma causa e apenas espero que gostes de mim como sou.
Forasteira procurando morada, a cada passo uma nova estrada.
O inverno passou e agora há flores,
e, com exceção do teu, não quero nem penso em outros amores.




Foto: acervo pessoal (julho/2017).

Observação: primeira vez que uso foto minha aqui no blog (motivo de alegria, hehe).

Encontrar-se
Comentários (2) // sábado, 9 de setembro de 2017

Telhados quebrados
atire a primeira pedra quem me calou.
De noite, à procura de respostas, andei.
Me perdi e vi que a pedra na minha mão estava
o tempo passava e eu permaneci parada.
Quem virei já não tinha os olhos brilhando,
não me reconheci em minha própria morada.

Era eu a responsável pela fuga da minha essência
a rotina me consumiu sem a minha anuência
minha arte virou exata e fria ciência.
Fui como foto grande, sem alegria, em porta-retrato pequeno
Tentei me encaixar e sufocada fiquei...

Até que o vento sereno bateu em meus cabelos
eu provei novamente a liberdade que tanto abdiquei,
e até este poeminha aqui publiquei.

Fonte da foto: neste link.

É assim
Comentários (4) // quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
Texto que encontrei nos rascunhos deste blog, sem destinatário específico, da época em que msn era um meio de comunicação utilizado pelas pessoas.


Gosto de você como quem gosta de cheiro de árvores molhadas, céu bonito, tardes de outono, manhãs de primavera e céus estrelados. Gosto de você com aquela sensação de experimentar pela primeira vez um brigadeiro, você sabe que muitos morrem de amor com a primeira mordida. Gosto de você como quem ganha abraço apertado no inverno, cá entre nós, daqueles bem apertados. Gosto de você amando os seus defeitos e sorrindo com as suas qualidades. Gosto de você como quem chega em casa e se depara com presentes na sala, você é o presente da sala do meu coração. Gosto de você sendo piegas e imatura e brega e rindo de tudo isso, porque com você e para você até as minhas lágrimas sorriem. E porque gosto de você, torno-me uma louca, dessas desvairadas mesmo. E porque gosto de você, o meu coração salta quando você entra no msn e eu fico esperando a sua janelinha piscar ou nervosa fico imaginando as mil e oitocentas e setenta e duas meninas com quem você deve estar falando nesses dois minutos e um segundo desde que você ficou online. E porque gosto de você, respiro fundo e esqueço as mil e oitocentas e setenta e duas garotas produtos da minha mente mexicana e tento ser normal. E porque gosto de você, os meus dias bons tem uma variante somada, a variante que carrega o seu nome e sobrenome.

Imagem: daqui

Meta do ano de 2017
Comentários (0) // terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Desde que este blog começou eu mudei tantas vezes que perdi a conta. Hoje não sou a mesma Gabriela que a Gabriela de 2009. Só que, mesmo após incríveis oito anos, posso encará-la como que num espelho e reconhecer um vício em comum: continuo a ter uma vida mais online do que offline.
Ainda me lembro da sensação fantástica que tive, ainda bem criança, quando o primeiro computador gigante ocupou um bom espaço da minha casa (e da vida de todos nós lá desde então). Também sofro como que antigamente ao me lembrar da internet discada que caia – inclusive do barulho que fazia. Sinto, da mesma forma, como tudo ficou ultrapassado num estalar de dedos e de repente nos tornamos tão tecnológicos e portadores de internet ambulante via smartphones cada vez mais desatualizados.
Nunca fui de fazer metas, mas deixo aqui registrado o meu único alvo público de 2017: navegar mais pela vida do que pelas milhares de abas do meu navegador, de forma a buscar mais notícias reais do que as incontáveis manchetes dos posts jornalísticos e da vida virtual dos meus amigos.
Não será fácil, mas quem sabe eu retomo este blog?

E, por fim, feliz 2017, que seja um doce ano.

Foto: daqui



Marcadores: ,


Adoção do mundo
Comentários (1) // quarta-feira, 22 de julho de 2015

Minha menina,
eu não sou a sua mãe e você não é a minha filha.
Não temos semelhança física.
Parecidas com você há várias outras meninas
e o meu peito dói.

Quem irá lhe ensinar o ficar na ponta do pé,
decorar o alfabeto e dançar o balé
ou o que você quiser?
Quem irá lhe mostrar a diferença entre o mi-do-ré?
E lhe falar que a vida não é só tempestade?
Que há calmaria, amor e também amizade?

Quem irá lhe defender da guerra e da zombaria?
Pegar-lhe no colo e dizer que tudo ficará bem?
Que algum dia as nossas forças vêm
e que vale a pena acreditar naquilo que faz o coração acelerar?

Quem irá lhe contar alguns contos de fadas?
Explicar que princesa não precisa de príncipe para ser feliz e amada?
E que giz de cera é o passaporte para qualquer pátria?

Quem lhe dará um abraço
e estará ao seu lado
todas as vezes em que dentro de você houver machucado?

Minha menina,
quando você irá perceber
que a arma é só um brinquedo
do ser humano que se acha indefeso
e que não soube crescer?

Foto: Osman Sağırlı

Daquilo que não se diz
Comentários (2) // sábado, 14 de março de 2015

Lembro-me daquele dia em que saímos. Eu treinei como dar as mãos com a minha irmã mais nova, sabia? Porque eu tive medo de tê-las transpirando ou de apertar demais as suas. E desde aquela vez, não soltei mais as suas... até poucas horas depois de terminarmos, por ato falho do corpo que não se comunicou com a razão. Não, não estou remoendo o passado ou me afogando em tudo que poderia ter sido e não foi. A vida deixou bem claro que como casal fomos ótimos amigos. E é disso que eu sinto falta no meu dia a dia. Se você estivesse comigo agora me daria um abraço apertado e um beijo na testa. E eu recobriria as minhas forças imediatamente. Nem toda poesia tem palavras.
Que a verdade seja dita, não costumo dar as mãos para ninguém. Confiança nunca foi o meu forte. Sorte que basta ser para viver e que a amizade de verdade não se esvai.


Imagem: daqui.

Marcadores: ,


Pontos Cartesianos
Comentários (1) // segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Você quer respostas minhas, mas elas pressupõem as perguntas que você não me fez. Você julga o meu silêncio, só que me abandona com o seu desdém. Eu busco no dicionário esse comportamento seu, deparo-me na palavra “O.tá.rio” e até penso em fechá-lo rapidamente. Meu coração diz que ele mente. E a razão palpita em meu cérebro. Devem falar sério quando dizem que sou inocente. É que a vida é um mistério e eu não sei viver com enigma. É estigma meu pensar que sou parecida com a Agatha Christie, não sabendo nem ligar os pontos cartesianos das minhas emoções.

Marcadores: ,


Zona Oeste
Comentários (0) // segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Saberás que essa ferida não é dolorida
e que nascida foi para ser sentida
Tão gravemente como se o coração estivesse exposto
a cacos de vidro, tentando bater.

Pelas palavras procuro entender
posto que as letras ora se fazem as falas da alma.
Se não puderes compreender
prefiro não ter calma.
A demora e a espera e a expectativa trouxeram-me somente o sofrer.

Depressa procuro esquivar-me.
Não sinto simpatia pela razão.
Silencio-me diante desse caos
Aos que dilaceraram a união.

Se não puderes ser curativo,
esqueça-me para que o meu presente
não seja cativo de tudo o que fizeste.

Hoje o dia está cinza
e a Zona Oeste de mim se despede.