O blog
Dizem que falar aos cotovelos é ruim. Dizem que expressar opinião é ótimo, em alguns casos. Unindo ambas as coisas essa pequena garota irá tentar defender as suas próprias opiniões rebeldes e muitas vezes sem causa, de coisas cotidianas, valhas ou às vezes inúteis; passando o tempo aqui, vendo as horas voarem e digitando descontroladoramente palavras aleatórias, porque isso sim é de sua estranha natureza.

Quem
Gabriela Andrade, uma senhorita com 23 anos vividos de misturas sentimentais, questões polêmicas, questionamentos insanos e utópicos sobre o mundo, englobados em torno de muitas confusões. Anseia por um futuro melhor, mas se saberá o que será do temido e exasperado amanhã?

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Eleições na utopia
Comentários (6) // quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Certo dia dezembrino, a garota das roupas roxas conversou com Marianna, uma pequena grande amiga sua de apenas cinco anos. Dizia-lhe coisas muito engraçadas que abafavam qualquer respingar de tédio ou de tristeza. Dentre muitos, um assunto curioso foi sobre política...
- Em meu mandado, coração partido terá feriado!
- Marianna, onde foi que você ouviu falar em coração partido? É muito nova pra isso.
- Ué, vi escondida num filme que mamãe tava assistindo...
- Ah, sua curiosinha!
- Me deixa continuar...!
- Claro que lhe deixo. E o certo é “deixe-me” ou “me deixe”.
- “Deixe-me” é muito estranho. Em meu mandado, qualquer um vai poder falar errado!
- Coitado do Português, Mari.
- Coitada de mim, toda hora mamãe me corrige. E em meu mandado pirulito será dado a todas as crianças que quiserem, to-di-nhas!
- E os adultos?
- Ah, eles vão evitar as cáries!
- Criança não pode ter cáries também, é?
- Não, porque isso será proibido!
- E a escola, vai ter? – Perguntou, rindo.
- Claro. Mas sem professores e com muitas brincadeiras.
- Ah, mas então não será escola.
- E será o quê?
- Será só recreio.
- Isso! Adoro recreio! Maaas, a minha irmã mais velha terá escola normal, é bom pra ela.
- Ué, por quê?
- É que ela é chata. – Disse, sussurrando.
- Quando eu for presidenta, também vou dar sorrisos, felicidade, saúde e tudo o que for de bom...
- E você vai dar isso como?
- Como os médicos dão os remédios naquele hospital aqui perto, dãr.
- E como eles dão?
- Numa embalagem toda bonitinha!
- Ah, se tudo fosse tão simples...
- Mas é, você que não vê, bobinha.

Ilustração: da Irena

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Annalice Poulain
Comentários (6) // sábado, 20 de agosto de 2011

Annalice sonhava em ser astronauta quando pequena só para poder carregar todas as estrelas da imensidão do Céu que, segundo ela, cabiam em suas mãos gordinhas e jogá-las nos lugares sem brilho.
Ela era tão exageradamente romântica que ao invés de roncar ao dormir, fato provocado por suas amídalas, suspirava em doses longas e metódicas, como se planejadas fossem. Sorria como serenatas de amor, cheia de esperança sem motivo.
Não comia morangos nos dedos, mas a chamavam de Annalice Poulain. Tinha como marca o sorriso, o mesmo que muitas vezes a acompanhou em dias chuvosos para os olhos.
Dançava na chuva só para sentir que pelo menos as gotas a aplaudiam, pois se elas caíam de tão longe, seria só por um motivo: vê-la dançar desesperadamente alegre.
Era como se duzentas e duas mil borboletas grudassem em seus braços para que assim ela voasse. E voava, voava, voava... com os olhos fechados, com os olhos sorrindo, com os olhos brincando, com os olhos cantando, com os olhos vivendo doçuras que há nesta vida para os que a veem com encanto, com delicadeza, como crianças - como se cada doce, cada abraço, cada palavra linda fossem tesouros de final de arco-íris.

P.S.: pra entender o Poulain clica aqui.

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